
A Joana anda numa fase complicada.
São birras e tentativas de auto-afirmação que nos deixam a nós e a ela frustrados.
A nós porque nos tentamos impor enquanto pais e parece que as dezenas de tentativas de lhe ensinar o que está certo ou errado nunca são suficientes nem eficazes.
A ela porque se revolta porque não pode fazer tudo como e quando ela quer.
Resultado?
Birras, vozes imperativas num tom mais alto do que desejamos, às vezes uma palmada...
Chego a alturas de desespero em que após ralhar e levar com birras, gritos, tentativas de bater, coisas atiradas ao chão, vou-me embora para outra divisão da casa e também eu choro.
Sei que faz parte e que ela tem, como mostra a toda a hora, uma personalidade forte...
A nossa também o é!
Depois há a parte da dependência...
É a minha sombra e exige que eu seja a dela!
Há quem me diga que ela está mimada de mais, coisa que não me entra na cabeça, há quem tenha a teoria que é porque ainda está a ser amamentada e por isso é demasiado dependente da mãe, há quem diga mil e uma coisas...
Para mim é só mesmo porque é minha filha e, por consequência, eu sou mãe dela.
Amo-a e mostro-lhe isso a cada segundo que passa, dou-lhe atenção, carinho, brinco, imponho-me, vivo por e para ela...
Daí o facto de ela ser muitíssimo pegada a mim, ao ponto de o simples gesto de lhe virar as costas a fazer chorar como se não houvesse amanhã.
Sim, é sufocante... Mas no fundo eu gosto, é a recompensa do meu esforço.
E o "há quem diga..." não me interessa para nada!
E depois há exactamente o oposto!
Quando está bem disposta e lhe corre tudo às maravilhas é um doce...
Uma palhacinha que se mostra feliz por nos fazer soltar gargalhadas. Dança, canta, dá beijinhos, abraços, faz mil e uma proezas e toda ela é um miminho! E se não nos vê rir (sorrir não chega) repete mil e uma vezes até alcançar o seu objectivo!
Eu queixo-me mas ela é a minha vida!
Sem ela a minha vida... Nem me lembro de como era.
Sem ela... Não sei viver!